Coronelismo e Oligarquias
"Se souberes ouvir, tirarás proveito até daqueles que falam mal." )
Coronelismo e Oligarquias
Campos Sales
Voto de cabresto
Candidatos da situação
A
consolidação do modelo republicano federalista e a ascendência das
oligarquias agrárias ao poder fez surgir um dos mais característicos
fenômenos sociais e políticos do período: o coronelismo. O fenômeno do
coronelismo expressou as particularidades do desenvolvimento social e
político do Brasil. Ele foi resultado da coexistência das formas
modernas de representação política (o sufrágio universal) e de uma
estrutura fundiária arcaica baseada na grande propriedade rural.O
direito de voto estava assegurado pela Constituição, mas o fato da
grande maioria dos eleitores habitarem o interior (a população sertaneja
e camponesa) e serem muito pouco politizados levou os proprietários
agrários a controlar o voto e o processo eleitoral em função de seus
interesses. O "coronel" (geralmente um proprietário de terra) foi a
figura chave no processo de controle do voto da população rural. Temido e
respeitado, a influência e o poder político do coronel aumentavam a
medida em que ele conseguisse assegurar o voto dos eleitores para os
seus candidatos. Por meio do emprego da violência e também da barganha
(troca de favores), os coronéis forçavam os eleitores a votarem nos
candidatos que convinha aos seus interesses.
Campos Salles (1898-1902), foi firmado um pacto de poder chamado de Política dos Governadores. Baseava-se num compromisso político entre o governo federal e as oligarquias que governavam os estados tendo por objetivo acabar com a constante instabilidade que caracterizava o sistema político federativo.A Política dos Governadores estabelecia que os grupos políticos que governavam os estados dariam irrestrito apoio ao presidente da República, em contrapartida o governo federal só reconheceria a vitória nas eleições dos candidatos ao cargo de deputado federal pertencentes aos grupos que o apoiavam. O governo federal tinha a prerrogativa de conceder o diploma de deputado federal. Mesmo que o candidato fosse vitorioso nas eleições, sem este documento ele não poderia tomar posse e exercer a atividade política. O controle sobre o processo de escolha dos representantes políticos a partir da fraude eleitoral impedia que os grupos de oposição chegassem ao poder.
Campos Salles (1898-1902), foi firmado um pacto de poder chamado de Política dos Governadores. Baseava-se num compromisso político entre o governo federal e as oligarquias que governavam os estados tendo por objetivo acabar com a constante instabilidade que caracterizava o sistema político federativo.A Política dos Governadores estabelecia que os grupos políticos que governavam os estados dariam irrestrito apoio ao presidente da República, em contrapartida o governo federal só reconheceria a vitória nas eleições dos candidatos ao cargo de deputado federal pertencentes aos grupos que o apoiavam. O governo federal tinha a prerrogativa de conceder o diploma de deputado federal. Mesmo que o candidato fosse vitorioso nas eleições, sem este documento ele não poderia tomar posse e exercer a atividade política. O controle sobre o processo de escolha dos representantes políticos a partir da fraude eleitoral impedia que os grupos de oposição chegassem ao poder.
Voto de cabresto
O controle do voto da população rural pelos coronéis ficou conhecido
popularmente como "voto de cabresto". Por meio do voto de cabresto eram
eleitos os chefes políticos locais (municipais), regionais (estaduais) e
federal (o governo central). A fraude, a corrupção, e o favorecimento
permeavam todo o processo eleitoral de modo a deturpar a representação
política.No âmbito municipal os coronéis locais dependiam do governador
para obtenção de auxílio financeiro para obras públicas e benfeitorias
gerais, daí a necessidade de apoiar e obter votos para os candidatos de
determinada facção das oligarquias estaduais. As oligarquias estaduais
também dependiam de votos para conquistarem ou assegurarem seu domínio
político, daí a necessidade de barganharem com os coronéis locais.
Semelhante condição de dependência política se manifestava nas relações
do governo federal com os governos estaduais.As rivalidades, lutas e
conflitos armados entre coronéis de pouca ou grande influência e
pertencentes a diferentes oligarquias agrárias eram comuns, fazendo da
violência um componente constitutivo e permanente do sistema de
dominação política da República Velha.
Revolução de 1930 viesse alterar os rumos da política brasileira. Candidatos da situação
De modo geral, o governo federal firmava acordos com os grupos políticos
que já detinham o poder, e a partir daí diplomava somente os candidatos
da situação garantindo-se, desse modo, a perpetuação desses grupos no
governo. Com poucas ou nenhuma chance de chegar ao poder por via
eleitoral restava aos grupos da oposição juntarem-se aos grupos
políticos da situação. A Política dos Governadores assegurou e reforçou o
poder das oligarquias agrárias mais influentes do país. Os estados mais
ricos da federação, São Paulo e Minas Gerais, dispunham das mais
prósperas economias agrárias devido a produção em larga escala do
principal produto de exportação brasileiro, o café. As oligarquias
cafeeiras desses estados conquistaram influência política nacional e
governaram o país de acordo com seus interesses.A hegemonia de São Paulo
e Minas Gerais na política nacional foi chamada de "Política do
café-com-leite". Por meio de acordos entre o Partido Republicano
Paulista (PRP) e o Partido Republicano Mineiro (PRM), os dois estados da
federação elegeram praticamente todos os presidentes da República
Velha.


Nenhum comentário:
Postar um comentário